era um encosto
fantasma espreitando o alisado da porta
rabo de olho amedrontado
uma espécie de torpor acidental
o corpo deixado na condução.
caminhava como quem desliza sobre uma névoa densa
e guarda a alma no vidrinho de remédio
o olhar sempre pela metade do olho
a reta fazendo um rasgo
e a pálpebra obediente.
sapato sujo de barro vermelho
a anunciação do dilúvio
trovoada e relampago no peito.
o minuto do vento parado.
relógio sem ponteiro
ponto sem nó.
a fadiga do drama
não suportar a imagem no espelho.
corpo imóvel no cruzamento.