eu me via novamente em crise
cade vez mais imersa no estrangeirismo que ronda a cidade
sem conseguir deixar a condição de exílio
caminhava pelas ruas
procurando alguém em quem pudesse esbarrar
e me desculpar
e dizer qualquer coisa que não fosse silêncio.
o silêncio do corte seco.
do sinal que muda de cor.
do pilotis vazio.
o vazio era eu?
olhar o reflexo no balcão da padaria aberta
o cão deitado na calçada em aclive
a escassez de som, de gente e de mosca sobre a comida da mesa.
a assepsia da paisagem me causava náusea e era preciso que houvesse cheiro.
um barulho. um palavrão. um escarro.
uma briga embriagada no bar.
a voz embargada ao telefone.
lamento de saudade sobre os ombros.
mas não.
era somente plano e horizonte.
céu e nuvem parada.
corte seco.