levantei.
a criança e o marido deixaram a casa sob meu olhar cuidadoso inerente às manhãs.
vesti a roupa e calcei botas. levei guarda chuva.
esperava a condução
quando ela veio.
primeiro implodindo no peito
depois misturando-se ao sangue e à pele
feito o naufragar de um petroleiro em alto mar azul.
eu suava sob a chuva
e cada gota que caía tinha a superfície cortante.
senti um coração em cada lóbulo.
olhei para o outro lado da rua e vi um deserto.
precisava atravesar. correr porta adentro.
era isso ou nada. ou ficar. ou esvair-se.
fui. faz pouco tempo e já não me lembro de que maneira cheguei.
o lado de dentro do meu mundo é o avesso.
e não sei como se volta ao lado certo outra vez.