um torpor habitava o copo de suco
três gotas de mistério e pedra de gelo
-uma dança-
a sobriedade marcava o descompasso
o tom era dado pelos talheres da mesa vizinha
e eu olhava com assombro os dentes de quem passava
meu corpo desritmado
toalha suja de farelo
a servente coçando os olhos
o lamento inevitável de fim da noite
sussurava como em silencio
-me tirem daqui.
e no úlitmo gole do copo embriagado, pensei
que cada um zele por seu inferno.